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24 de janeiro de 2015
LRAN

Camponeses: Mais além da convivência com o capital

Horacio Martins de Carvalho

Numa formação econômica e social complexa como a brasileira os camponeses (o campesinato), na sua imensa diversidade, convivem contemporaneamente com as empresas capitalistas de maneira estruturalmente conflitiva devido à exploração econômica a que estão por elas submetidos.

Em algumas circunstâncias, como nos contratos de produção e ou nos processos de integração, como por vezes esse processo é referido para dar conta das parcerias no processo de produção entre camponeses e empresas capitalistas, essa exploração se dá de maneira consentida devida a algumas vantagens conjunturais que os camponeses podem usufruir nessas condições de relações econômicas desiguais.

A premissa que adoto nestas reflexões é a de que a convivência dos camponeses com o capital, numa sociedade de classes e com elevada desigualdade social, se concretiza pela subalternidade camponesa às diversas frações do capital.

Portanto, é uma convivência que pressupõe, como condição historicamente inexorável na sociedade capitalista, que os camponeses aceitem como normal a transferência parcial da renda e da riqueza por eles obtidas para as empresas capitalistas rurais e ou urbanas com que se relacionam direta ou indiretamente..

Por diversos motivos e fatores, aliados a muito desalento, os camponeses continuam garantindo a sua precária reprodução social ainda que estejam, na sua maioria, cientes da subalternidade ao capital a que estão historicamente submetidos. Os camponeses são, antes de tudo, persistentes, ainda que o limite dessa persistência tenha sido rebaixado devido aos apoios incontestáveis dos governos às grandes empresas capitalistas no campo e da cidade no âmbito político de afirmação do agronegócio.

É minha sugestão que essa convivência subalterna dos camponeses perante as diversas frações do capital é uma das dimensões que caracteriza negativamente a reprodução social camponesa na formação econômica e social brasileira. Sem dúvida alguma, diversas frações do campesinato rejeitam política e ideologicamente essa subalternidade, numa busca constante de construção do que denomino ‘a autonomia camponesa perante o capital’

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